Quem aqui ainda não ouviu falar sobre as famosas críticas do linguísta Chomsky ao livro Verbal Behavior, de Skinner?
Através da publicação de um artigo intitulado A Review of B. F. Skinner's Verbal Behavior (acesso através do link, em inglês.) o linguísta norte-americano Noam Chomsky teceu severas críticas ao livro Verbal Behavior, de Skinner. Suas críticas, por mais de 10 anos, permaneceram sem resposta e, nenhuma das réplicas feitas, foi escrita por Skinner. Skinner dizia: (1) "em primeiro lugar, eu deveria ter lido a resenha e eu achei o seu tom desagradável. Ela não era uma resenha do meu livro, mas do que Chomsky tomou, erroneamente, por minha posição"; (2) "eu também teria que escrutinar a gramática gerativa, o que não era minha área." (Skinner, citado por Justi e Araújo, 2004). Deste modo, Skinner considerou estas críticas inválidas, por não condizerem com o que de fato é dito pela teoria Behaviorista.
Alguns anos depois da publicação das críticas, no entanto, começaram a surgir respostas escritas por outros autores Behavioristas. Uma das mais conhecidas é a de MacCorquodale, que em 1970 publicou o artigo On Chomsky Review of Skinner's Verbal Behavior (acesso em inglês), no qual demonstrava os equívocos cometidos por Chomsky em sua crítica.
No Brasil, além de um breve comentário de Abib (1994), não temos qualquer revisão das críticas de Chomsky ao livro de Skinner (Justi e Araújo, 2004). Um breve resumo destas críticas, no entanto, foi publicado por Justi e Araújo com o título Uma avaliação das críticas de Chomsky ao Verbal Behavior à luz das réplicas Behavioristas (disponível no link em português), discute além das críticas de Chomsky, os motivos pelos quais tanto demorou aparecer a réplica Behaviorista a obra do linguista. Indico a leitura.
Ainda é (muito) comum hoje em dia que sejam feitas críticas infundadas ao Behaviorismo Radical. De acordo com Maria Ester Rodrigues em seu artigo Behaviorismo, Mitos, Discordância, Conceitos e Preconceitos (2006) elas podem ser oriundas tanto de desconhecimento a respeito da Teoria Comportamental, quanto de Discordâncias Teóricas. Completa: "em relação aos equívocos – considerando como equívocos a crítica desprovida de maior sustentação, ou seja, as críticas
que não resistiriam a um exame mais aprofundado da teoria" (p.142), que podem ser geradas por 1) desconhecimento da teoria e da prática comportamental (incluindo com relação aos termos técnicos da abordagem) e; 2) confusão entre teorias dos diversos autores e sua história.
Com relação às discordâncias teóricas, em discussão no grupo COMPORT de Análise do Comportamento, chegamos à conclusão de que podemos em alguns casos levar em consideração também uma nova categoria, a má-fé, como no caso das críticas feitas por Jefferson M. Pinto. O autor delas é Doutor em Psicologia Experimental, espera-se que possua um conhecimento acurado em Análise do Comportamento. Mesmo assim, fala diversas mentiras e meias verdades a respeito tanto da prática quanto da teoria em seu artigo (disponível na publicação a seu respeito). Além das discordâncias teóricas entre sua atual linha Psicanalítica e a Análise do Comportamento, creio que caiba má-fé ao falarmos de sua publicação. É difícil pensar que um Doutor em Psicologia Experimental não conheça a teoria Comportamental ao ponto que a publicação sugere.
Até o momento não lí uma crítica sequer que partisse de um psicólogo não Analista do Comportamento que não pecasse em atribuir ou negligenciar características da Análise do Comportamento - isto é, não conheço uma crítica que seja fiel às características da abordagem. Caso alguém conheça, peço que me envie - preciso conhecer.
A ABPMC vem se ocupando de responder grande parte das críticas infundadas dirigidas a Análise do Comportamento. Dois exemplos recentes que podem ser citados são o caso da Carta Aberta de Luciano Elia (Carta Aberta; Resposta ABPMC), e o pronunciamento do SINDIUPES (Resposta ABPMC) sobre a educação. O pronunciamento, anteriormente disponível no site da SINDIUPES, foi tirado do ar após a resposta emitida pela ABPMC. É um belo trabalho este realizado pela presidente da ABPMC Marta Hubner, mas existem algumas críticas dirigidas a abordagem que, de tão absurdas, sequer merecem resposta - ou talvez mereçam, caso feitas por algum formador de opinião.
Outro erro recente cometido por uma instituição de grande porte, está nas questões do ENADE. As três questões (13, 22 e 27) que tratavam sobre o Behaviorismo continham erros, tanto na formulação quanto no gabarito. Agora, era de se esperar que uma prova que tem por objetivo avaliar a qualidade dos cursos (de Psicologia nesse caso) fosse pelo menos elaborada corretamente, não é? Acho que este tipo de erro mostra a péssima qualidade da educação no país. Nem os responsáveis por avaliá-la sabem o que estão avaliando.
Caso seja elaborada uma resposta oficial aos erros do ENADE irei postá-la aqui.
3 comentários:
Te convido a comentar o livro de Pinker, a tábula rasa, onde o autor diz que o Behaviorismo Radical compreende o ser humano como um organismo que nasce como uma tábula rasa, e que toda o comportamento dele é aprendido ontogeneticamente. Pela qualidade de seus textos acho q vai sair alguma coisa muito legal.
Convite aceito! Estarei viajando de férias, assim que voltar vou tentar encontrar o livro. Se não encontrá-lo, comento com base em uma resenha.
Tenho uma teoria...
Os criticos da Analise do Comportamento não a entenderam bem, e aqueles que inicialmente tomando uma postura critica procuram entende-la acabam aderindo.
História de condicionamento própria, de Freudiano Roxo para Behaviorista Radical.
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