quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Bullying - senhor pai, o que está esperando pra ajudar?

 Muitas crianças sofrem diariamente na escola, muitas vezes caladas, sendo vítimas do Bullying. Menos mal quando ela ainda fala para os pais, que podem buscar solucionar de algum modo o problema. Mas e quando ela sofre em silêncio, sem ninguém ficar sabendo?

Muitos pais desatentos nem notam - talvez por desconhecimento, até -, os sinais que uma criança vítima de Bullying apresenta. Quais são eles? Aliás, alguns até percebem, e culpabilizam e punem a criança quando seu rendimento escolar cai, ou ela não quer mais frequentar a escola.

Antes de continuarmos a discussão, no entanto, eu gostaria que assistissem ao seguinte vídeo (clique na imagem para assistir):




No texto  "Comportamento em cena - Lucas, um intruso no formigueiro - Filme infantil aborda Bullying e relações hostís na infância" (link abaixo), Giovana Del Prette realiza uma Análise Comportamental do Bullying através da discussão do filme. Discuto aqui suas idéias, permeando com algumas coisas que vieram me ocorrendo, e leituras que fui me deparando ao googlar.

O que é Bullying?

A ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Protenção a Criança e ao Adolescente) define Bullying como "todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder".

Mais especificamente, uma criança é vítima de Bullying quando ela é agredida, assediada, aterrorizada, discriminada, envergonhada por meio de apelidos ou brincadeias às quais não consegue reagir, dominada, excluída do grupo, ignorada, ou submetida a qualquer outro tipo de violência psicológica ou social ¹.

Quem é a vítima de Bullying?

Geralmente, as crianças vítimas de Bullying são as que, de algum modo, são diferentes dos outros daquele grupo. Geralmente, o diferente do grupo é invejável, socialmente estigmatizado ou indefeso ².

A vítima em potencial, pode apresentar características físicas ou comportamentais desprezados por seu grupo social, ou mesmo invejadas ². Pode ser também  aquela criança que não possua repertório de enfrentamento adequado, isto é, não saiba lidar com as brincadeiras e exigências do grupo de maneira saudável - sendo logo estigmatizada e, então, fica difícil tirá-la da situação². O tímido, o gordinho, o japonês, o índio, o que não se veste como as outras do grupo, o que tira notas muito acima dos outros, o querido das professoras, enfim, aquele que se destaca, são alvos em pontencial. 

A criança que possui uma autoestima baixa é uma vítima em potencial. Os outros notam isto, e acabam se aproveitando; pois, ao fazerem o grupo rir com as piadinhas sobre fulano, acaba recebendo aprovação destes. 

O que pode ser considerado sinal de Bullying no comportamento da criança?

Quem sofre Bullying geralmente apresenta desinteresse em frequentar a escola; sente-se mal, ou até simula doenças perto da hora de sair de casa; pede para trocar de escola; evita ir sozinho à aula; procura percorrer caminhos diferentes entre a escola e sua casa; apresenta baixo desempenho acadêmico; volta da escola com material ou roupa estragados; chega em casa machucado, sem explicação convincente; apresenta sinais de angústia, ansiedade e depressão; pode ter pesadelos constantes; "perde" pertences e dinheiro com frequência¹ ; tem poucos amigos; tem dificuldades para namorar.

Cuidado é importante, pois nem sempre a criança vítima de Bullying fala para um adulto ². Às vezes por medo, por vergonha, ou por não acreditar que a adiante alguma coisa. Muitas se consideram merecedoras do que acontece, em função de sua baixa autoestima, e então simplesmente não procuram reagir. 

Como lidar com o Bullying?

Não existe uma fórmula para isto, mas algumas dicas podem ser dadas. A princípio, é importante lembrar que ações voltadas para o Bullying são pouco eficazes ².

É importante que a criança aprenda habilidades sociais; comece a andar com outras crianças que não praticam Bullying (como mostrado no texto quando outros interferem); desenvolva sua autoestima e auto-confiança, o que pode ser feito através da inserção em atividades que podem valorizá-la, como música, artes marciais, etc., à preferência da criança (sempre); procure ficar próxima às autoridades (professores, direção, etc.) da escola, etc.²

O interessante mesmo, e que apresenta melhores resultados, portanto, é a orientação individualizada. Procurar uma psicólogo para analisar a situação e propor um plano interventivo adequado às condições da criança é o mais indicado.

A mudança de atitude na criança pode, muitas vezes, não resolver o problema². São os outros que incentivam o Bullying - como pode ser visto no vídeo acima, e não as atitudes da própria criança, embora esta contribua, caso seja inassertiva².

É importante que os pais estabeleçam uma relação aberta e segura com seu filho, de modo a aumentar as probabilidades dele chegar para conversar. Estes devem também se mostrar dispostos a ajudar a criança, que está sofrendo (!) e não apenas sendo "fresca" diante das brincadeiras dos colegas.

Links consultados:


Link  ¹ - Bullying.
Link ² - Boletim Paradigma - artigo de Giovana Del Prette: "Comportamento em cena - Lucas, um intruso no formigueiro - Filme infantil aborda Bullying e relações hostís na infância", o qual forneceu a análise comportamental deste texto.

6 comentários:

Daniel F. Gontijo disse...

Bom texto, Neto! Mas e as crianças que cometem o Bullying? O que dizer (ou fazer) sobre elas?

Um abraço!

Neto disse...

Uma saída seria desenvolver empatia nelas, através de técnicas de sensibilização. Outra, seria reforçar comportamentos contrários ao Bullying. Pode-se também separá-la de seus colegas agressores.

No artigo da Giovana tem ótimas dicas sobre como lidar com o Bullying. Sugiro que dê uma olhada.

Daniel F. Gontijo disse...

Bacana! Acho que sejam procedimentos no mais das vezes eficientes — a não ser que haja alguma doença congênita envolvida no bullying, tal como a psicopatia. Mas se não há, de onde ou devido a que desenvolveu-se tal repertório comportamental? (Quando eu tiver mais tempo eu darei uma olhada na página que você indicou.)

Abraço!

Neto disse...

Daniel, dá uma postagem inteira isso... haushuahsuaa... vou tentar elaborar uma postagem discutindo o que pode levar alguém a cometer Bullying.

Alessandra disse...

Excelente texto neto. Eu já sofrí Bullying, e acho que a experiencia de quem já passou por isso acaba sendo sempre bastante parecida. até os modos de lidar com ele, acabam sendo sempre os mesmos, os citados no texto.

Álvaro disse...

Neto, eu lí alguns textos sobre Bullying, motivado pelo seu texto. Concordo com a Alessandra, a solução para isto é velha conhecida dos acadêmicos, a dificuldade começa na prática.

Quanto ao texto da Giovana, gostei de seus comentários... tenho exemplificado ele como você fez deixou bem mais clara a compreensão...