domingo, 20 de junho de 2010

Aprender é modificar o cérebro

Navegando por aí na internet achei um texto bastante interessante sobre Aprendizagem. Gostei dele porque o texto diz exatamente aquilo que o Skinner fala sobre o modo como aprendemos: não guardamos uma cópia das informações em nosso cérebro, mas as nossas conexões sinápticas e estrutura cerebral são modificadas à medida em que experienciamos o mundo.



Segue um trecho: "(...) O que exatamente acontece no cérebro durante o aprendizado? As sinapses, pontos de troca de informação entre neurônios, mudam. As que foram usadas com sucesso são fortalecidas, enquanto as que levaram a erro ou não serviram para nada são enfraquecidas, algumas a ponto de atrofiarem e desaparecerem."

Como sugere a citação, aquelas sinapses responsáveis por condutas que obtém sucesso no ambiente - geram reforço, atingem algum objetivo - tendem a se fortalecer; e, por consequência, aquela conduta terá sua probabilidade de ocorrência aumentada. Por outro lado, as sinapses responsáveis por condutas que levaram ao erro (punição?) ou não serviram para nada (não geraram reforço?) tendem a desaparecer e, por consequência, a conduta tem menores chances de voltar a ocorrer.

Importante deixar claro que quando falo em "sinapse responsável pela conduta" eu não estou afirmando que ela é a iniciadora ou o porquê da mesma, mas sim, parte da mecânica,  ou do como o comportamento acontece. Ela é parte do substrato biológico do comportamento. As "causas" do mesmo encontram-se na relação entre o organismo e o ambiente.


O texto ao qual me refiro no início da postagem foi publicado no site Cérebro Melhor em um artigo que discutia a pesquisa publicada na Nature a respeito da aprendizagem e formação de novas sinapses em camundongos.

O artigo chama-se Rapid formation and selective stabilization of synapses for enduring motor memories  e discute justamente isto, a modificação e formação das redes sinápticas em camundogos que passam por processos de aprendizagem. 




Links consultados:

CÉREBRO MELHOR. Aprender é Modificar o Cérebro. Consultado em 20 de junho de 2010. 

Xu T, Yu X, Perlik AJ, Tobin WF, Zweig JA, Tennant K, Jones T, Zuo Y (2009) Rapid formation and selective stabilization of synapses for enduring motor memories, Nature 462, 915-9.

3 comentários:

Daniel Gontijo disse...

Neto, o que exatamente quer dizer "sinapses usadas com sucesso"? Não só comportamentos reforçados, também comportamentos punidos geram novas sinapses no cérebro, sinapses estas que irão, por exemplo, ser importantes na eliciação de respostas autonômicas quando o organismo estiver diante de estímulos discriminativos posteriores ao condicionamento. Nesse sentido, acho estranho pensar que tal sinapse obteve "sucesso" - a não ser que pensemos em sucesso num nível de análise filogenético, onde respostas emocionais básicas como o medo ou a ansiedade foram importantes para a sobrevivência. Por outro lado, não é menos verdade que o medo e a ansiedade podem ser posteriormente reforçados pelas consequencias que estes produzem, tratando portanto de uma condição ontogenética.

Bom, levando em conta os níveis onto e filogenético, a proposta soa bem razoável.

Um abraço!

netopsico disse...

O "obter sucesso" é uma expressão usada pelo texto original, e imagino que signifique "permanecer sendo emitida". Se obter sucesso tem mesmo este significado, e só se mantém sendo emitida aquela resposta reforçada, então obter sucesso é obter reforço.

Imaginei no mesmo sentido em que se diz de "sucesso evolutivo".

danielgarciapsicologia disse...

Neto, no texto "levar ao erro" ou "não serviu para nada", ambas podem ser entendidas como extinção. O erro nem sempre é punido, muitas vezes o erro simplesmente não causa consequencias, ex.: dizer joana, para a daniele, e não ser atendido. Ja a punição, ela nem sempre pode ser entendida como erro, pois voce pode acertar e ser punido do mesmo jeito. ex.: dizer daniele e ela mandar voce ir tomar naquele lugar. Voce acertou o nome, mas o momento nao era propício, talvez isso fortaleça alguns comportamentos para discriminar em qual situação chama-la (um meio de esquiva), e provavelmente vai enfraquecer o comportamento naquela situação que foi punida, mas como ela atendeu ao chamado, esse pode ter sido reforçado e nem ser influenciado pela punição. Mas daí dizer que punição = erro... acho que não, ela implica, como voce mesmo ja me disse, em muitas outras coisas e que não são geralmente "erradas".